PF afasta prefeito eleito há 2 dias por suspeita de elo com Comando Vermelho na Paraíba

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Edvaldo Neto venceu eleição suplementar em Cabedelo no domingo e caiu nesta terça em operação sobre contratos e crime organizado

 

A Polícia Federal afastou nesta terça-feira (14) o prefeito de Cabedelo, Edvaldo Neto (Avante), eleito há apenas dois dias em votação suplementar no município da Região Metropolitana de João Pessoa. A Operação Cítrico apura fraude em licitações, desvio de recursos públicos, lavagem de dinheiro e possível financiamento de facção criminosa com atuação na cidade.

De acordo com a Controladoria-Geral da União e o Ministério Público da Paraíba, por meio do Gaeco, o esquema investigado teria operado por meio da contratação fraudulenta de empresas fornecedoras de mão de obra. A suspeita é de que essas empresas tenham sido usadas para infiltrar pessoas ligadas à facção Tropa do Amigão, apontada pelos investigadores como braço do Comando Vermelho, na estrutura da Prefeitura de Cabedelo.

As diligências foram autorizadas pelo Tribunal de Justiça da Paraíba. Segundo a CGU, foram cumpridos 21 mandados de busca e apreensão e quatro afastamentos de função pública em Cabedelo, João Pessoa, Lucena e Olinda.

Operação aponta contratos usados para sustentar grupo criminoso

Na versão apresentada pelos órgãos de investigação, os contratos administrativos sob suspeita não serviriam apenas para desviar recursos. Também teriam sido usados para manter poder político, influência territorial e blindagem institucional em Cabedelo.

A Polícia Federal afirma que houve circulação de valores de origem pública em favor do crime organizado. Já o Ministério Público da Paraíba diz que a apuração identificou um consórcio entre agentes políticos, empresários e integrantes de organização criminosa voltado à perpetuação de contratos milionários e à distribuição de vantagens ilícitas.

O valor total movimentado pelo esquema sob suspeita pode chegar a R$ 270 milhões, segundo o Ministério Público. Até o momento, os órgãos não divulgaram a íntegra da decisão judicial que embasou os afastamentos nem detalharam, em nota pública, todos os contratos que estão no centro da operação.

Quem é o prefeito afastado

Edvaldo Manoel de Lima Neto, do Avante, venceu a eleição suplementar realizada no domingo (12) ao lado do vice Evilásio Cavalvanti Neto. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral, ele recebeu 16.180 votos, o equivalente a 61,21% dos válidos. O adversário Wallber Virgolino (PL) teve 10.255 votos, ou 38,79%.

Justiça Eleitoral da Paraíba acompanhou presencialmente a votação e a apuração no município. Edvaldo é advogado e foi eleito vereador em 2020.

O registro da candidatura dele à eleição suplementar foi confirmado pelo TRE-PB no fim de fevereiro. A nova disputa foi convocada depois da cassação dos mandatos do então prefeito André Coutinho e da vice Camila Holanda.

Cabedelo já estava sob pressão da Justiça

A crise política no município antecede a operação desta terça. Em 7 de abril, o TSE confirmou a eleição suplementar em Cabedelo após manter a cassação de André Coutinho e Camila Holanda por abuso de poder político e econômico e compra de votos.

Em nota posterior, o Ministério Público Federal informou que, segundo o MP Eleitoral, pessoas ligadas à Tropa do Amigão eram nomeadas para cargos comissionados e empregos terceirizados na prefeitura, mediante indicação de líderes do tráfico. Ainda segundo o órgão, a estrutura pública municipal vinha sendo usada para consolidar a influência da organização criminosa sobre a administração e o processo eleitoral local.

Foi essa decisão que levou à realização da eleição suplementar vencida por Edvaldo Neto no domingo. O intervalo entre a vitória nas urnas e o afastamento cautelar na nova investigação foi de 48 horas.

Facção já era alvo de outra ofensiva

A Tropa do Amigão, citada na Operação Cítrico, já havia sido alvo de outra ofensiva do Ministério Público da Paraíba em março. Na Operação Restinga II, o Gaeco e a Polícia Civil informaram que o grupo era investigado por tráfico de drogas, armas e munições, além de homicídios, tortura e corrupção de menores, com atuação em Cabedelo.

Esse antecedente reforça o peso da menção feita agora pelos investigadores, que associam contratos públicos sob suspeita ao fortalecimento territorial da facção no município.

Antecedente no Tribunal de Contas

Antes de assumir o Executivo, Edvaldo também já havia sido citado em julgamento do Tribunal de Contas do Estado da Paraíba relacionado ao período em que comandou a Câmara Municipal. Em acórdão de novembro de 2025, o TCE-PB julgou parcialmente procedente uma denúncia sobre inexigibilidades de licitação para contratação de serviços de assessoria e consultoria jurídica.

Na decisão, a Corte mandou a Câmara revisar e, se fosse o caso, rescindir os contratos analisados, além de recomendar concurso público para prover cargos necessários ao serviço jurídico. O processo não aparece, até aqui, como parte da Operação Cítrico, mas amplia o histórico de questionamentos sobre contratações ligadas à trajetória administrativa de Edvaldo antes de sua ida para a prefeitura.

O caso de Cabedelo se soma a outros episódios em que investigações passaram a mirar a relação entre facções criminosas e estruturas de poder, inclusive com braços políticos e suspeitas de infiltração institucional, como já mostrou a Revista Fórum em outra cobertura sobre a atuação de facções na política.

Nota defesa de Edvaldo Neto na Íntegra

A defesa do Prefeito de Cabedelo, Edvaldo Neto, vem a público esclarecer que recebe com serenidade a decisão que determinou seu afastamento cautelar, medida de natureza provisória que não implica qualquer juízo definitivo de culpa.

Reafirma-se a absoluta tranquilidade quanto à apuração dos fatos, certo de que, no curso regular do processo e sob o crivo do contraditório e da ampla defesa, todas as circunstâncias serão devidamente esclarecidas.

O Prefeito jamais manteve qualquer vínculo ou relação com facção criminosa, sendo tal imputação absolutamente inverídica e incompatível com sua trajetória pública.

Cumpre destacar, inclusive, que na data de ontem (13), foi encaminhado ao Poder Legislativo Municipal projeto de lei de caráter “antifacção”, que visa proibir a contratação, pela Administração Pública, de pessoas que respondam a processos ou inquéritos relacionados ao tráfico de drogas e à organização criminosa, iniciativa que reforça, de modo inequívoco, o seu compromisso com a legalidade, a probidade administrativa e o enfrentamento firme à criminalidade.

A defesa confia plenamente nas instituições e no restabelecimento da verdade, convicta de que a inocência do gestor será reconhecida ao final.

PCC usa agrotóxico batizado e contrabandeado para invadir setor de R$ 21 bi

Agrotóxico adulterado significa ineficiência dos produtos ativos. Isso gera mais pulverizações e uma dupla carga de venenos nos alimentos, como óleo de soja; farelo de soja para alimentação de aves, suínos e bovinos; farinhas de milho para alimentação humana e de animais; óleo de milho e derivados DDG.

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) confirmou a atuação do PCC no mercado de defensivos agrícolas falsificados.

Pulverização de agrotóxicos sobre escola segue impune há 5 anos — Brasil de  Fato

A venda de defensivos ilegais foi descoberta durante operação que investigava agiotagem em Franca, no interior do estado e revelou um grande esquema que pode impactar o setor agrícola nacional.
Trocas de mensagens interceptadas revelaram dois integrantes do PCC falando sobre o produto para lavoura de café. Ambos foram presos.
Em julho, o MP-SP apreendeu mais de 30 mil embalagens que seriam usadas na falsificação. A operação em Franca foi considerada uma das maiores do tipo no estado.

Mercado paralelo no fornecimento dos defensivos é mantido por quatro crimes, segundo o Idesf (Instituto de Desenvolvimento Econômico Social de Fronteira):

Roubo de carga com produtos químicos legalizados no Brasil; falsificação do defensivo agrícola com a mistura de produtos legais e ilícitos; contrabando de mercadorias proibidas no país; desvio de finalidade (quando produtos legais são importados para ajudar na adulteração de defensivos agrícolas falsos).

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Criminosos do setor de falsificação se dividem em núcleos. Há responsáveis pela produção de embalagens, pelas notas fiscais fraudulentas e outros pela adulteração do produto, por exemplo.

Há mistura de produtos legais e ilegais, mas contrabando de defensivos proibidos no Brasil é mais vantajoso. “O criminoso não precisa se dar ao trabalho de misturar. Ele traz o produto mais barato da fronteira e coloca na embalagem de um defensivo permitido no Brasil”, explica Luciano Stremel Barros, presidente do Idesf.

O contrabando acontece principalmente via Paraguai, que liberou princípio ativo em 2019. De acordo com estudo do instituto, as quadrilhas chegam a pagar os tributos exigidos pelo governo paraguaio para legalizar o produto à base de benzoato de emamectina e, assim, reduzir o risco de apreensão antes de atravessar a fronteira.

A grande rota do tráfego de agrotóxicos é feito via BR-163. Ali foram apreendidos 54,8 mil quilos de produtos pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) entre 2018 e 2021, segundo o Idesf. As BRs 116 e 262 aparecem logo em seguida.
Fonte: UOL

A guerra civil está batendo à nossa porta. Está ouvindo?

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Mesmo com a presença de tropas do Exército, da Guarda Nacional e da Polícia Militar,  bandidos incendeiam prédio da PM no Rio Grande do Norte com coquetel molotov, bomba caseira feita com uma garrafa, cheia de gasolina e dotada de um pavio.

O levante popular que a luta armada pretendia contra a Ditadura, agora está nas ruas por obra do tráfico de drogas, do banditismo e do crime organizado.

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O crime organizado mais rentável é a política

Beira-Mar, um principiante perto daquele povo de Brasília.
Beira-Mar, um principiante perto daquele povo de Brasília.

Governo diz que vai acabar com as facções do crime organizado, que são ao menos 27 em todo o País. Será que eles estão pensando em extinguir o PMDB, que chantageia e extorque governos desde que foi criado, como um saco de gatos, para substituir o valoroso MDB?

O partido é tão prolífico, que dele já saíram os “autênticos” do PSDB e outras organizações menores.

Em entrevista a Roberto Cabrini, que foi ao ar ontem à noite no SBT, Fernandinho Beira-Mar asseverou que o crime organizado que dá mais lucro no País é mesmo a política.