Argentinos apelam para a carne de burro para enfrentar crise dos preços.

Innovación en la Patagonia: cría de burros para el consumo y su impacto en la ganaderíaBurros da Patagônia: extrema-direita argentina está matando e comendo seus irmãos.

Com o preço da carne bovina cada vez mais alto, população argentina procura alternativas. Passou-se o tempo em que se ia a Argentina apenas para comer um bom bife de chorizo, bife ancho, asado de tira e vacío, cortado de colher, com menor custo que um prosaico cheeseburguer e coca-cola. 

O aumento acelerado dos preços da carne bovina na Argentina, em meio à crise econômica sob o governo de Javier Milei, tem levado consumidores a substituir o produto por alternativas mais baratas, como a carne de burro, que começa a ganhar espaço no mercado. De acordo com reportagem do Página/12, editada pelo Brasil247,  o aumento dos preços tornou a carne bovina um item de luxo no país, frustrando promessas de campanha de redução de valores e alterando profundamente os hábitos alimentares da população.

Nos últimos meses, os preços subiram de forma acentuada, com alta superior a 10% em apenas um mês, e cortes comuns chegando a ultrapassar 25 mil pesos por quilo. Diante desse cenário, famílias passaram a reduzir o consumo, migrando inicialmente para frango e carne suína — opções que também ficaram mais caras — e, posteriormente, para alimentos ainda mais baratos, como ovos.

A crise econômica se insere em um contexto mais amplo de inflação persistente. Segundo o Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec), o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) registrou alta de 3,4% em março, acima dos 2,9% de fevereiro, marcando o maior nível em um ano. No acumulado de 12 meses, a inflação chegou a 32,6%.

Desde que assumiu a presidência, em dezembro de 2023, Javier Milei implementou um amplo programa de reformas econômicas. Entre as medidas, estão a paralisação de obras federais e a suspensão de repasses para as províncias, além da retirada de subsídios em áreas como energia, transporte e serviços essenciais, o que contribuiu para a elevação dos preços ao consumidor.

Em meio à escalada dos preços, surgiu a proposta de comercializar carne de burro, vendida por cerca de 7.500 pesos o quilo. O açougueiro Gonzalo Moreira, de Buenos Aires, descreveu os efeitos da crise sobre o setor. “Estamos enfrentando uma recessão importante. Não conheço comerciante que não esteja passando por dificuldades. O setor está sendo muito pressionado, mesmo sem grandes variações de preço. Tudo é pago com cartão, empurrado para frente”, afirmou à Rádio 750.

Ele também destacou mudanças no comportamento dos consumidores: “E a comida também começa a ser paga em parcelas. A gente vai reorganizando as vendas. As pessoas deixaram a carne bovina, que caiu cerca de 20% nas compras, e passaram para o porco ou o frango. Um quilo de carne bovina custa entre 15 mil e 18 mil pesos. Já o porco fica entre 8 mil e 9 mil pesos”.

Sobre a carne de burro, Moreira reconheceu o papel da alternativa diante da necessidade. “Se for para enfrentar a necessidade diária, não digo que seja o melhor… Mas há pessoas que ao menos podem ter acesso a esse tipo de alimento”, disse.

Ele também expressou resistência cultural ao consumo: “Não estou de acordo. Acho que não quero comer um burro. Estamos acostumados a comer vaca. Mas, se tiver que levar isso para outro lado… Ninguém gosta de comer coelho, mas se come toda a vida”.

A iniciativa partiu do produtor rural Julio Cittadini, criador do projeto “Burros Patagones”. Segundo ele, a procura superou as expectativas. “O que colocamos à venda acabou em um dia. Em um dia e meio não restou nada”, relatou.

O empreendimento conta com autorização do Ministério da Produção de Chubut e segue normas sanitárias, sendo uma atividade formal dentro do setor agropecuário.

Depois de 4 anos com a economia em farrapos, esta é uma eleição boa de se perder

Mercado tem feito alertas para a ilusão do ‘benefício da dúvida’ a Bolsonaro

Por José Paulo Kupfer, em Poder 360

Passado um ciclo político completo de quatro anos, a situação econômica prevalente no início deste exercício que se encerra é a mesma possível de vislumbrar naquele que está próximo de se iniciar. Como foi lá em 2014, a eleição presidencial de 2018 é boa de perder.

odos os problemas e desequilíbrios que fizeram o pleito de 2014 ser bom de perder continuam valendo agora. A contração profunda do nível de atividade, que esfarrapou a economia nos dois anos em que a presidente reeleita Dilma Rousseff manteve-se no cargo, deu lugar a uma situação de permanente quase recessão com Michel Temer, o vice-presidente que a sucedeu.

Essa situação ameaça se prolongar, acentuando a deterioração da estrutura produtiva. Estamos falando não só de máquinas, equipamentos e processos defasados por falta de investimentos, mas também das sequelas para a mão de obra afastada de ocupações decentes por tempo prolongado.

Quatro anos depois, as dificuldades para reequilibrar a economia e colocá-la em trajetória de crescimento mais consistente se equivalem. Se a inflação amainou, o desemprego não saiu do lugar e os impasses fiscais se aprofundaram.

Com as guerras comerciais de Trump e a normalização monetária puxada pela alta dos juros de referência nos Estados Unidos, até o ambiente externo, diante do qual o País, com seu alto volume de reservas internacionais, dispõe de um razoável seguro contra contágios, se apresenta menos confortável.

Também do ponto de vista político, naquilo que importa para a economia, nada se alterou em substância. Entre 2015 e 2018, os Poderes da República não só continuaram a não se entender como alargaram seus desentendimentos, inclusive internamente a eles.

Essa grave disfunção institucional está na raiz das dificuldades para superar os gargalos estruturais que sufocam as potencialidades brasileiras. Se a notória inabilidade de Dilma permitiu prosperarem no Congresso as pautas-bomba que a impediram de governar e ajudaram a derrubá-la, nem por isso o estilo jeitoso e conciliador de Michel Temer foi suficiente para levar a bom termo o programa reformista conservador com o qual ocupou o lugar da antecessora.

Ficará como mais uma das ironias da História a incompreensão dos perdedores da eleição de 2014 de que aquela era uma eleição boa para perder. Não obstante a tenham perdido, não se conformaram com o resultado e se lançaram na aventura de ganhá-la por outros meios.

O impactos negativos da vitória alcançada via contestação do resultado eleitoral e do impeachment estão aí para ninguém ter dúvidas. Associado a outros partidos no impeachment da presidente reeleita Dilma Rousseff, o PSDB compôs o governo de Michel Temer, contando com a aprovação de reformas, a volta dos investimentos e do crescimento econômico. Deu errado e muitos tucanos, assistindo agora a um PT surpreendente e razoavelmente competitivo, quando há meros dois anos parecia moribundo, se perguntam se não teria sido melhor deixar Dilma e seu partido afundarem até o fim.

Nesse meio tempo, assentada com a argamassa do protagonismo do Judiciário, a criminalização da política fertilizou o terreno da atual barafunda institucional e contribuiu fortemente para o engarrafamento de soluções do imenso imbroglio econômico em que estamos metidos. O fato é que, nos termos atuais, qualquer que fosse o eleito, a quantidade de ajustes e acertos dependentes de maiorias no Congresso e de decisões judiciais torna a missão de rearrumar a economia, para dizer o mínimo de forma elegante, muito complexa.

Quando os dois líderes da corrida eleitoral são também os campeões da rejeição entre os eleitores, o quadro dá margem a perspectivas ainda mais preocupantes. É diante desse cenário incontornável de dificuldades que até as apostas dos agentes do mercado financeiro em um destravamento da economia a partir da vitória do candidato outsider Jair Bolsonaro, estão passando por revisão, depois das reações eufóricas com sua vantagem nas pesquisas de intenção de voto.

A crise chegou até à prostituição. Acredite: agora tem programa parcelado no cartão.

A crise chega a todos os setores da economia. Inclusive à poderosa indústria do sexo. O portal Metrópoles analisa, hoje, que diante dos altos índices de desemprego no país e com a recessão econômicaprostitutas usam a criatividade para sobreviver aos tempos difíceis. Promoções, pagamento parcelado no cartão de crédito e até rifas fazem parte das estratégias adotadas pelas profissionais do sexo a fim de garantir o sustento.

A presidente da Associação das Prostitutas de Minas Gerais (Aprosmig), Cida Vieira, 48 anos, 22 deles como garota de programa, relata como ela e outras colegas de profissão têm se virado.  “A crise é geral e o mercado do sexo não ficou de fora. Negociamos pesado, damos desconto e trabalhamos mais. Não falta cliente, mas eles querem pagar menos”, afirma.

Em Belo Horizonte, garotas passaram a aceitar parcelamento no cartão de crédito, a depender do valor do serviço. Elas também criaram um tipo de “cartão fidelidade”. “O cliente que vai três vezes na semana, por exemplo, paga mais barato pela hora. Ele não fica sem se divertir e a mulher não perde o dinheiro”, diz Cida. Veja a matéria na íntegra clicando aqui.

Pelo jeitão que a banda toca, vai piorar muito ainda antes de melhorar.