O perfeito entendimento do milagre.

O jornalista Augusto Nunes, de Veja, entende, em todos os ângulos do perfeito entendimento, o milagre operado pelo ministro Fernando Pimentel:

Diz o Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, em visita a Genebra, avisando que já explicou como se faz para virar consultor de uma fábrica de tubaína pernambucana e, em troca de conselhos que levaram o cliente à falência, embolsar R$ 150 mil, quantia superior ao lucro anual da empresa:

“Sobre esse assunto, eu já falei tudo no Brasil. Dei todas as explicações. O assunto está explicado. Eu já falei sobre isso.”

Está explicado e pronto! O povo entende, os jornalistas compreendem!

A nossa piscina está cheia de ratos.

Pelo que se comenta nos jornalões e nos blogs mais bem informados da República, o processo de fritura do ministro consultor, Fernando Pimentel, já está em fase final. Dizem que ele já até pediu demissão, para evitar a agonia da “Dança de São Vito”.

O assunto só não é mais destacado por motivo do lançamento do livro “Privataria Tucana”, do repórter Amaury Ribeiro. Dizem que é um excelente jornalista investigativo, que os podres da privatização são abissais, mas o autor se envolveu com a arapongagem do PT, o que não é um bom sinal. O livro relata ainda a formação de uma rede de espionagem, patrocinada por Serra, contra o seu adversário dentro do PSDB, Aécio Neves. Serra plantou, na pré-campanha, um dossiê volumoso de Aécio, a grande esperança branca, onde eram relevantes itens como sexo, drogas e rock and roll.

No Brasil é assim: um escândalo só finda quando estréia outro, mais interessante. Pobre País, entregue à sanha de seus podres poderes.

Descoberto o informante da imprensa.

Pelo andar da carruagem, quem anda jogando ministro na arena para os leões é Mário Negromonte. Depois da aguda crise pela qual passou, já dançaram Orlando Dias, Carlos Lupi e agora ensaia os primeiros passos da valsa da despedida o ministro Fernando Pimentel. 

Como dizia Martin Fierro, o personagem do poema de Jose Hernandez, “nadie como el pelligro para aclarar um mamao”.