
As Causas Principais
Altos impostos sobre o charque: O governo imperial cobrava taxas muito altas sobre o charque (carne seca), o couro e o sebo produzidos no Rio Grande do Sul. Ao mesmo tempo, o charque importado do Uruguai e da Argentina entrava no Brasil com impostos mais baixos, tornando o produto gaúcho pouco competitivo.
Falta de autonomia política: Os líderes gaúchos (estancieiros e chefes militares) queriam maior poder de decisão para a província e a liberdade de escolher seu próprio presidente provincial, cargo que era nomeado diretamente pelo Rio de Janeiro.
Em 20 de setembro de 1835, liderados por Bento Gonçalves, os revoltosos (chamados de “farroupilhas” ou “farrapos”) invadiram Porto Alegre e destituíram o presidente da província, Antônio Rodrigues Fernandes Braga.
A Proclamação da República (1836): Após a vitória na Batalha do Seival, o general Antônio de Sousa Neto proclamou a República Rio-Grandense (ou República de Piratini) em 11 de setembro de 1836, oficializando o desejo de separação do Império.
Expansão para Santa Catarina (1839): Sob o comando de David Canabarro e do revolucionário italiano Giuseppe Garibaldi, os farrapos tomaram a cidade de Laguna (SC) e fundaram a República Juliana. Foi nessa campanha que Garibaldi conheceu Anita Garibaldi, que se tornou uma das figuras mais célebres do movimento.
A paz de Ponche Verde
Anistia: Todos os oficiais farroupilhas foram perdoados e integrados ao Exército Imperial Brasileiro com as mesmas patentes.
Proteção econômica: O charque estrangeiro foi taxado em 25% para proteger a produção gaúcha.
Os escravos que lutaram no exército farroupilha (conhecidos como Lanceiros Negros) deveriam ser libertados, embora a história registre que muitos foram devolvidos à escravidão ou dizimados no controverso episódio da Batalha de Porongos. O episódio se tornou a página mais negra da história do Rio Grande, pela traição aqueles que foram o verdadeiro esteio da luta fratricida.
Quem eram os Lanceiros Negros?

A promessa de liberdade: Para incentivar a adesão, os líderes farrapos prometeram a alforria a todos os escravos que lutassem na guerra contra o Império.
Tática de elite: Eles se tornaram uma força de choque temida e respeitada. Armados principalmente com lanças compridas e facões, atacavam montados a cavalo com extrema rapidez e coragem, sendo decisivos em várias vitórias republicanas.
Organização: Foram criados dois corpos de Lanceiros Negros (o primeiro em 1836). Eles eram liderados por oficiais brancos, como o general Davi Canabarro.
A Traição Escrita
O desarmamento: Na noite de 14 de novembro de 1844, Davi Canabarro ordenou que os Lanceiros Negros acampassem em uma área separada do restante do exército e confiscou suas armas, alegando que pretendia evitar conflitos ou desobediência.
O ataque surpresa: na madrugada, as tropas imperiais de Moringue atacaram o acampamento dos negros desarmados. Como sabiam exatamente onde e como atacar, o massacre foi inevitável.
O desfecho: Cerca de 100 lanceiros foram mortos e mais de 120 foram capturados e enviados de volta à escravidão no Rio de Janeiro. Davi Canabarro conseguiu fugir do local sem ferimentos, o que aumentou as suspeitas de facilitação.
O Impacto e o Legado Histórico
Por muitas décadas, a história oficial da Revolução Farroupilha tentou romantizar o conflito e silenciar a tragédia de Porongos. Hoje, no entanto, os Lanceiros Negros são reconhecidos como verdadeiros heróis nacionais.

.jpg)