Crianças autistas, gente morrendo de doenças crônicas. O que o glifosato tem a ver com isso?

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Uma leitura terrível sobre o glifosato, sementes transgênicas e a Monsanto. Como os dois artigos estão reproduzidos em site do Movimento Sem Terra – MST, muitos vão reagir negativamente, por causa da questão política. Mas vale a pena ler, até para servir de base para refletir sobre o assunto, principalmente sobre o fato de que poderia ser compensador, até financeiramente, cultivarmos lavouras menos dependentes de agrotóxicos.

Clique aqui para ler os artigos do Eco21 e de Jeff Ritterman. Aproveite também e leia o artigo de Carta Maior, “25 doenças que podem ser causadas pelo glifosato”.

As dúvidas sobre os transgênicos começam a ser reveladas

Milho transgênico no Brasil
Milho transgênico no Brasil

Este artigo foi publicado pelo site ASPTA – Agricultura Familiar e Agroecologia. Reproduzimos o artigo sem, no entanto, referendá-lo, pois não temos base científica para isso. É o relato de um experimento e não temos referencias das entidades que o realizaram:

Pela primeira vez na história foi realizado um estudo completo e de longo prazo para avaliar o efeito que um transgênico e um agrotóxico podem provocar sobre a saúde pública. Os resultados são alarmantes.

O transgênico testado foi o milho NK603, tolerante à aplicação do herbicida Roundup (característica presente em mais de 80% dos transgênicos alimentícios plantados no mundo), e o agrotóxico avaliado foi o próprio Roundup, o herbicida mais utilizado no planeta – ambos de propriedade da Monsanto. O milho em questão foi autorizado no Brasil em 2008 e está amplamente disseminado nas lavouras e alimentos industrializados, e o Roundup é também largamente utilizado em lavouras brasileiras, sobretudo as transgênicas.

O estudo foi realizado ao longo de 2 anos com 200 ratos de laboratório, nos quais foram avaliados mais de 100 parâmetros. Eles foram alimentados de três maneiras distintas: apenas com milho NK603, com milho NK603 tratado com Roundup e com milho não modificado geneticamente tratado com Roundup. As doses de milho transgênico (a partir de 11%) e de glifosato (0,1 ppb na água) utilizadas na dieta dos animais foram equivalentes àquelas a que está exposta a população norte-americana em sua alimentação cotidiana.

Os resultados revelam uma mortalidade mais alta e frequente quando se consome esses dois produtos, com efeitos hormonais não lineares e relacionados ao sexo. As fêmeas desenvolveram numerosos e significantes tumores mamários, além de problemas hipofisários e renais. Os machos morreram, em sua maioria, de graves deficiências crônicas hepato-renais.

O estudo, realizado pela equipe do professor Gilles-Eric Séralini, da Universidade de Caen, na França, foi publicado ontem (19/09) em uma das mais importantes revistas científicas internacionais de toxicologia alimentar, a Food and Chemical Toxicology.

Segundo reportagem da AFP, Séralini afirmou que “O primeiro rato macho alimentado com OGM morreu um ano antes do rato indicador (que não se alimentou com OGM), enquanto a primeira fêmea, oito meses antes. No 17º mês foram observados cinco vezes mais machos mortos alimentados com 11% de milho (OGM)”, explica o cientista. Os tumores aparecem nos machos até 600 dias antes de surgirem nos ratos indicadores (na pele e nos rins). No caso das fêmeas (tumores nas glândulas mamárias), aparecem, em média, 94 dias antes naquelas alimentadas com transgênicos.

O artigo da Food and Chemical Toxicology mostra imagens de ratos com tumores maiores do que bolas de pingue-pongue. As fotos também podem ser vistas em algumas das reportagens citadas ao final deste texto.

Séralini também explicou à AFP que “Com uma pequena dose de Roundup, que corresponde à quantidade que se pode encontrar na Bretanha (norte da França) durante a época em que se espalha este produto, são observados 2,5 vezes mais tumores mamários do que é normal”.

De acordo com Séralini, os efeitos do milho NK603 só haviam sido analisados até agora em períodos de até três meses. No Brasil, a CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança) autoriza o plantio, a comercialização e o consumo de produtos transgênicos com base em estudos de curto prazo, apresentados pelas próprias empresas demandantes do registro.

O pesquisador informou ainda que esta é a primeira vez que o herbicida Roundup foi analisado em longo prazo. Até agora, somente seu princípio ativo (sem seus coadjuvantes) havia sido analisado durante mais de seis meses.

Um dado importante sobre esse estudo é que os pesquisadores trabalharam quase que na clandestinidade. Temendo a reação das empresas multinacionais sementeiras, suas mensagens eram criptografadas e não se falava ao telefone sobre o assunto. As sementes de milho, que são patenteadas, foram adquiridas através de uma escola agrícola canadense, plantadas, e o milho colhido foi então “importado” pelo porto francês de Le Havre para a fabricação dos croquetes que seriam servidos aos ratos.

A história e os resultados desse experimento foram descritos em um livro, de autoria do próprio Séralini, que será publicado na França em 26 de setembro sob o título “Tous Cobayes !” (Todos Cobaias!). Simultaneamente, será lançado um documentário, adaptado a partir do livro e dirigido por Jean-Paul Jaud.

Esse estudo coloca um fim à dúvida sobre os riscos que os alimentos transgênicos representam para a saúde da população e revela, de forma chocante, a frouxidão das agências sanitárias e de biossegurança em várias partes do mundo responsáveis pela avaliação e autorização desses produtos.

Com informações de:

Etude unique, la plus longue et la plus détaillée sur la toxicité d’un OGM et du principal pesticide – CRIIGEN, 19/09/2012.

EXCLUSIF. Oui, les OGM sont des poisons ! – Le Novel Observateur, 19/09/2012.

Estudo revela toxicidade alarmante dos transgênicos para os ratos –

AFP, 19/09/2012.

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Perícia da Justiça diz que Monsanto cobra royalties irregulares da semente de soja.

Os representantes da Associação dos Produtores de Soja do Estado (Aprosoja/RS) receberam o resultado de perícia pedida pela justiça em relação à suposta cobrança irregular de royalties pela empresa Monsanto. O trabalho de análise de amostras do grão transgênico da safra passada se iniciou em outubro de 2010.

Segundo o laudo, a comercialização e produção destas sementes e a venda posterior é tratada pela lei de cultivares. E pela legislação, o produtor pode plantar e reservar parte da produção para replantio sem precisar pagar novamente.

O advogado da Aprosoja comemorou o resultado da perícia. Néri Perin afirma que a empresa estaria cobrando os royalties em três momentos, quando deveria cobrar apenas uma vez.

– Ela está cobrando, num primeiro momento, das instituições de pesquisa. Ela cobrou, num segundo momento, dos produtores de semente, na venda de sementes que a empresa recebe também. E está cobrando, por ocasião da comercialização dos grãos dos agricultores quando vão vender a produção destas sementes – explica.

As partes do processo deverão ser intimadas a partir de agora para que se manifestem sobre o resultado da pesquisa.

Em nota, a Monsanto informa que desconhece suposto laudo elaborado nesta ação. A empresa afirma ainda que eventual perícia que contenha qualquer imprecisão técnica poderá ensejar impugnação e recursos, pelo que o seu conteúdo não é definitivo, até que exista sobre ele uma decisão transitada em julgado.

Uma saída técnica para o plantio direto no Oeste baiano

Júlio Lautert, agrônomo da Monsanto, aponta uma saída para as dificuldades que o plantio direto tem encontrado no Oeste baiano, principalmente na formação da palhada (mulch) através da dessecação de capim milheto ou até mesmo das ervas-daninhas, que são rápidamente mineralizadas e não deixam uma cobertura vegetal satisfatória:

– Estamos recomendando o plantio do milho com brachiaria rozisienses, seguido pela entrada da soja. No entanto, como poucos querem plantar milho, em função de preços deprimidos e mercado inconstante, recomendamos a pulverização, via aérea, da semente de braquiária quando a soja encontra-se em final de ciclo, tendo, então, no próximo plantio, um volume maior de cobertura vegetal para dessecar.

Lautert explica que no plantio de variedades transgênicas são grandes os cuidados da assistência técnica da Monsanto:

-No caso do milho resistente a lagartas, guardamos uma área de refúgio, para plantio de variedades convencionais, para evitar o surgimento de insetos resistentes dentro da área de plantio transgênico. E também criamos áreas de coexistência com plantios vizinhos e de amortecimento em relação às áreas de reserva ambiental.

Lautert explica que o plantio de soja transgênica, com boa cobertura vegetal, é fator limitante para a expansão do mofo branco, doença que não tem tratamento satisfatório com fungicidas:

– O fato das gotas de chuva não jogarem terra para as folhas, amortecidas pela palhada, deixa de criar o ambiente favorável à disseminação do fungo nos cultivos.