O presidente e candidato à reeleição, Jair Bolsonaro (PL), voltou a atacar às urnas durante entrevista ao Jornal Nacional, na noite desta segunda-feira, 22. Ele é o primeiro presidenciável a participar da série de entrevistas promovida pelo veículo e entrou em embate com os jornalistas William Bonner e Renata Vasconcellos.
Bonner começou a entrevista questionando o presidente sobre os xingamentos desferidos por ele a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e sobre os ataques recentes feitos às urnas. “O que o senhor pretendeu com isso? O senhor pretendeu criar um ambiente que permitisse um golpe?”, perguntou o apresentador do JN.
“Primeiro, você não está falando a verdade quando fala xingar ministros. Isso não existe. O que você está falando é fake news”, respondeu Bolsonaro. Em seguida, o presidente voltou a afirmar que quer transparência nas eleições.
“Há um inquério assinado pelo chefe do TI do TSE que hacker ficaram por meses com a senha de um ministro acessando o TSE. O TSE não anunciou isso na hora que aconteceu, meses depois informou que os logs tinham sido apagados. Nós queremos evitar que hajam dúvidas”.
Em seguida, Bonner o retrucou e retomou o assunto. “O senhor disse que eu fiz fake news, mas o senhor xingou o ministro do Supremo de canalha”, disse o apresentador.
“Quem vem sendo perseguido o tempo todo por um minitro do Supremo sou eu, em um inquérito totalmente ilegal. Hoje em dia, pelo que tudo indica está pacificado, espero que seja uma página virada”, respondeu Bolsonaro, que retomou o assunto das urnas em seguida. “E quem vai decidir essa questão de transparência ou não serão as forças armadas, que foram convidadas a participar das eleições”, afirmou.
Ao ser questionado sobre a defesa da intervenção militar por parte de seus apoiadores, o presidente e candidato à reeleição, Jair Bolsonaro, defendeu que eles tenham o direito de se manifestar e que isso faz parte da democracia.
“As manifestações não tem ruídos, não tem sequer uma lata de lixo virada na rua. Esse artigo faz parte da constituição. Isso é liberdade de expressão, faz parte da democracia, não posso eu mandar fechar o Congresso Nacional ou o STF. Vejo essas manifestações como nada demais”, disse o candidato à reeleição.
Bolsonaro, provocado por William Bonner, a assumir um compromisso de respeitar o resultado das eleições, disse que respeitará o resultado desde que elas sejam limpas, reiterando a ressalva mais de uma vez: “Seja qual for, eleições limpas devem e serão respeitadas. Serão respeitados os resultados das urnas desde que sejam transparentes”.
Pandemia
Ao falar sobre a pandemia, o presidente disse que o governo federal agiu de forma correta.”Nós compramos mais de meio milhões de doses de vacinas, só não se vacinou quem não quis. Vocês dois acho que se vacinaram, com a vacina que eu comprei”, disse ele aos jornalistas. “Fizemos nossa parte e o grande erro disso tudo foi um trabalho forte da mídia, inclusive da Globo, desestimulando o tratamento precoce”, acrescentou o presidente.
Sobre a forma que tratou a imunização ao falar que quem tomasse a vacina poderia se tornar “jacaré”, o presidente afirmou: “No contrato da Pfizer diz que ele não está responsabilizada pelos sintomas da vacina. Por isso usei uma figura de linguagem: jacaré. E outra, eu não errei em nada no que falei. Hoje, muitos países falam que foi um erro implantar o lockdown, e que as pessoas se contaminaram muito mais em casa. Ou seja, só serviu para atrapalhar nossa economia”, disse.
Ao ser questionado pelos jornalistas sobre a situação que ficou Manaus no auge da pandemia, ele relatou que o aconteceu lá foi algo “atípico”. Em menos de 48h chegaram cilindros lá de outros locais. Não faltou da nossa parte recursos milionários a prefeitos e governadores. Foram poucos países do mundo que fizeram isso”.
Mais uma vez questionado por Renata sobre a insensibilidade com as mortes pela covid, ele respondeu: “A solidariedade, eu demonstrei falando com as pessoas. E imediatamente demos o auxílio emergencial às pessoas. Tratei com muita seriedade essa questão. Agora, não adotei o politicamente correto, não estimulei. Quando falei sobre o que era serviço necessário, falei que seria o que levasse o pão às famílias. Lamento as mortes, mas covid não poderia ser tratada como foi inicialmente”, afirmou.


Sampaio e daí ? Bolsonaro é foda ou não é?