Goiás exportava toda sua produção de terras raras para a China antes de venda aos EUA

O que são as terras raras, alvo de acordo entre Brasil e Índia

Mudança no controle da mineradora em Goiás altera rota estratégica dos minerais e intensifica disputa global por insumos críticos.

Antes de ser adquirida pela empresa norte-americana USA Rare Earth em uma operação de US$ 2,8 bilhões, a mineradora brasileira Serra Verde destinava integralmente sua produção de terras raras à China, principal potência global no processamento desses minerais estratégicos. A informação foi divulgada pelo jornal O Popular, ao detalhar o funcionamento da cadeia produtiva da empresa instalada em Goiás.

A Serra Verde, responsável pela única operação em larga escala de terras raras no Brasil, produzia cerca de 6.500 toneladas anuais de óxidos de terras raras (TREO), insumos fundamentais para setores como eletrônicos, veículos elétricos, energia limpa e defesa. Toda essa produção era exportada para o mercado chinês, que domina mais de 70% da capacidade global de refino desses materiais.

Dependência do refino chinês

O envio integral da produção brasileira à China refletia uma realidade estrutural do setor: embora países como o Brasil possuam grandes reservas, a etapa de refino — a mais complexa e estratégica — está amplamente concentrada em território chinês. Isso cria uma dependência global em relação à indústria chinesa, inclusive para países produtores.

Nesse contexto, a Serra Verde operava como fornecedora de matéria-prima para o sistema industrial chinês, sem internalizar etapas de maior valor agregado na cadeia produtiva.

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Autor: jornaloexpresso

Carlos Alberto Reis Sampaio é diretor-editor do Jornal "O Expresso", quinzenário que circula no Oeste baiano, principalmente nos municípios de Luís Eduardo Magalhães, Barreiras e São Desidério. Tem 43 anos de jornalismo e foi redator e editor nos jornais Zero Hora, Folha da Manhã e Diário do Paraná, bem como repórter free-lancer de revistas da Editora Abril

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