
Do colunista Josias de Souza, do UOL.
A aproximação entre Romeu Zema e Ronaldo Caiado é a penúltima novidade da praça. Os dois conversaram na terça-feira sobre a hipótese de juntar suas fraquezas eleitorais numa única chapa. Passaram a admitir a hipótese em público —Caiado falou disso numa entrevista; Zema, num encontro com investidores. Difícil será definir a ordem da chapa: Caizema ou Zemaiado?, eis a questão
O conservadorismo dito moderado sonhou que herdaria o espólio de Bolsonaro. Acordou num pesadelo em que o “mito” preso preferiu passar o bastão para o filho. A relação obscura com Daniel Vorcaro corroeu parte dos votos de Flávio Bolsonaro. Mas nem o efeito Master tirou dele o título de anti-Lula mais competitivo da sucessão.
Com o escândalo ainda em movimento, até Tarcísio de Freitas, suposto coordenador da campanha de Flávio em São Paulo, parece atormentado pelo remorso. Diz que o filho de Bolsonaro ainda precisa se explicar. É como se percebesse com atraso que na vida é sempre melhor se arrepender do que experimentou do que não experimentar.
O que Tarcísio não fez e gostaria de ter feito é perceber no mês de abril que a sorte, ao contrário de visitas chatas, só toca a campainha uma vez. Vencido o prazo de desincompatibilização, o governador lamenta em segredo não poder disputar a Presidência porque não quis entrar na disputa quando podia.
A direita brasileira tem um excesso de cabeças. Mas a submissão a Bolsonaro expôs a carência de miolos do grupo.
