Senador virou chacota nas redes sociais após chamar a ovada de “tentativa de homicídio” e pedir polícia; ninguém foi atingido e o público em Goiás ficou aquém do esperado.
A carreata de campanha de Flávio Bolsonaro (PL) foi atingida por ovos no domingo (27/set), em Goiânia. O senador pediu polícia, falou em “tentativa de homicídio” e ninguém se feriu. O episódio, somado ao público abaixo da expectativa, explodiu nas redes a uma semana do primeiro turno.
O QUE ACONTECEU NA RUA 15?
Os ovos partiram da varanda de um prédio na Rua 15, no Jardim Goiás, enquanto os veículos da comitiva passavam. Segundo o Metrópoles, Flávio Bolsonaro e os demais integrantes do grupo não foram atingidos.
Vídeos reproduzidos por veículos como o BNews e o Diário do Centro do Mundo mostram moradores na sacada e o gesto de “L” com as mãos, associado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A concentração começou por volta das 14h30, nas proximidades do Estádio Serra Dourada. Ao lado de Flávio estava Wilder Morais (PL), candidato ao governo de Goiás. O percurso terminou nos arredores do Parque Flamboyant, onde o presidenciável discursou.
POR QUE O SENADOR FALOU EM “TENTATIVA DE HOMICÍDIO”?
Flávio Bolsonaro interrompeu o trajeto, apontou um responsável e pediu identificação do apartamento. A fala, repetida por A Tarde e pelo Jornal da Região, foi esta:
“Se alguém souber qual o apartamento desse meliante, passa para a polícia. Ele tá colocando a vida de pessoas em risco aqui. Se isso pega na cabeça de alguém, isso mata, isso é tentativa de homicídio.”
Em outro momento da mesma agenda, segundo o Jornal da Região, o candidato ironizou: “Joga picanha. Não tem dinheiro, né? Só tem ovo em casa.”
Até a publicação das reportagens consultadas, não havia informação confirmada de identificação ou prisão de suspeito, nem de feridos.
IMPORTANTE: O arremesso de ovos é fato registrado em vídeo e narrado por várias redações. A classificação como “tentativa de homicídio” é declaração do próprio candidato, não uma tipificação judicial já reconhecida por autoridade. Ninguém da comitiva foi atingido, segundo as fontes.
O ATO EM GOIÂNIA ESTAVA ESVAZIADO?
A agenda era a primeira passagem presencial de Flávio Bolsonaro pela capital goiana desde o início formal da campanha, conforme o O Hoje. O estado votou fortemente em Jair Bolsonaro em 2022, o que elevou a expectativa local.
O Diário do Centro do Mundo descreveu o encontro como “ato flopado”: o senador aparece sobre um carro elétrico, cercado por simpatizantes, mas sem a multidão das antigas mobilizações do pai. Críticos usaram as imagens para ironizar a mobilização em Goiás, a sete dias da votação de 4 de outubro.
A análise aponta que o constrangimento político não veio só da ovada. Veio do contraste entre o vocabulário de gravidade extrema — homicídio — e o registro visual de um ato menor, filmado da janela, com o “L” à vista e o público aquém da memória bolsonarista no estado.
O QUE MAIS FLÁVIO DISSE DEPOIS DA CARREATA?
Ainda em Goiânia, o candidato voltou à polêmica das publicações sobre Nossa Senhora Aparecida. Segundo o Metrópoles, ele atribuiu ao PT a circulação da história falsa de que apoiaria retirar da santa o título de padroeira do Brasil e disse ter havido “ajuda de gente de dentro da CNBB”.
No mesmo dia, o ministro Flávio Dino, do STF, derrubou decisão do ministro André Mendonça que havia determinado a remoção de milhares dessas postagens. A campanha de Flávio reagiu com “perplexidade”, conforme o Jornal do Commercio/UOL.
A sequência importa para o debate democrático: de um lado, um candidato que pede polícia por ovos e acusa instituições religiosas e o adversário de “liga da mentira”; de outro, o eleitor que vê o mesmo episódio como protesto de sacada e como termômetro da campanha nas ruas.
O QUE ACONTECE AGORA?
O primeiro turno ocorre em 4 de outubro. A carreata em Goiânia entra para o repertório da reta final menos como prova de força territorial e mais como peça de circulação digital: o vídeo da ovada, o “L” na varanda, a frase sobre homicídio e a ironia da picanha.
Enquanto a polícia não divulgar apuração formal, o que permanece documentado é o seguinte: ovos foram lançados, ninguém da comitiva se feriu, o candidato pediu identificação do “meliante” e as redes trataram o episódio como chacota.
