Deputado da Motoserra tenta voltar do Umbral. TSE não permite.

TSE mantém condenação do 'deputado da motosserra' por crimes eleitorais

Hildebrando Pascoal foi condenado pelo Tribunal Regional Eleitoral do Acre (TRE-AC) pelos crimes de corrupção eleitoral, concentração e transporte ilegal de eleitores e associação criminosa.

Nesta semana, Tribunal Superior Eleitoral (TSE) manteve,  por unanimidade, a condenação do ex-deputado federal Hildebrando Pascoal Nogueira Neto a 14 anos de reclusão e multa por crimes cometidos durante as eleições de 1998 no Acre. A defesa havia pedido a revisão criminal da condenação, mas o plenário rejeitou o recurso.

A relatora, ministra Estela Aranha, foi acompanhada pelos ministros Nunes Marques, André Mendonça, Antonio Carlos Ferreira, Ricardo Villas Bôas Cueva, Floriano de Azevedo Marques e pela presidente da Corte, ministra Cármen Lúcia. O Estadão tenta contato com a defesa do ex-deputado. O espaço está aberto.

Hildebrando foi condenado pelo Tribunal Regional Eleitoral do Acre (TRE-AC) pelos crimes de corrupção eleitoral, concentração e transporte ilegal de eleitores e associação criminosa. A sentença transitou em julgado em maio de 2004.

Na revisão criminal, a defesa levantou três argumentos para tentar desconstituir a condenação: impedimento dos magistrados que participaram do julgamento original, ausência de supervisão judicial do inquérito policial em razão do foro por prerrogativa de função que o réu detinha à época e suposta dupla punição pelo mesmo fato.

O TSE rejeitou todas as teses. Sobre o impedimento dos juízes, o tribunal registrou que a arguição não foi apresentada em nenhum momento durante a tramitação da ação penal original e só foi suscitada em 2022, 18 anos após o trânsito em julgado da condenação. Para o tribunal, a defesa perdeu o prazo para fazer a alegação.

Quanto à supervisão do inquérito, o tribunal anotou que os atos investigatórios realizados enquanto Hildebrando detinha mandato parlamentar se restringiram a oitivas e declarações de testemunhas, sem a prática de medidas sujeitas à cláusula de reserva de jurisdição. A Corte também rejeitou o argumento de que mudanças na jurisprudência posteriores à condenação definitiva pudessem beneficiar o réu.

A alegação de dupla punição pelo mesmo fato foi igualmente descartada. A relatora destacou que o tema já havia sido apreciado e rejeitado pelo próprio TSE em recurso julgado em 2004, quando a Corte concluiu que as condutas tipificadas nos dois dispositivos legais são distintas. A revisão criminal, segundo o tribunal, não pode ser utilizada para rediscutir fundamentos já apreciados e rejeitados.

Conhecido como “deputado da motosserra”, Hildebrando Pascoal foi deputado estadual pelo Partido da Frente Liberal (PFL) entre 1995 e 1999 e, em seguida, eleito deputado federal, cargo do qual foi cassado em setembro de 1999 por quebra de decoro parlamentar. Ele é apontado como líder de um esquadrão da morte formado por policiais militares e civis no Acre e acumula múltiplas condenações, incluindo por homicídios. Permanece preso desde 1999, atualmente em regime domiciliar.

A conduta de Hildebrando contribuiu para a aprovação, em 2001, da Emenda Constitucional 35, que permite ao Supremo Tribunal Federal investigar crimes de parlamentares sem autorização prévia da Casa Legislativa, reservando ao Congresso o direito de suspender ações penais apenas depois de abertas.

Já pode mandar o cabo e o soldado? Governo sofre derrota feia no STF

Por 9×1, STF determina suspensão de dossiê do governo Bolsonaro sobre antifascistas. Em nova derrota para o governo Jair Bolsonaro, o plenário do STF considerou ilegal a produção de dossiês pelo Ministério da Justiça contra centenas de servidores antifascistas. Voto da relatora, ministra Cármen Lúcia, foi seguido pela maioria da Corte, com exceção de Marco Aurélio.

O STF determinou, por nove votos a um, nesta quinta-feira (20) que o governo Jair Bolsonaro suspenda a coleta e registro de informações de opositores, o denominado “dossiê dos antifascistas”. O documento reúne dados de 579 policiais e professores.

O julgamento teve início nesta quarta-feira (19) com o voto da relatora do caso, ministra Cármen Lúcia, que se colocou contra o dossiê. Os demais ministros acompanharam a relatora, menos o ministro Marco Aurélio Mello, que divergiu.

Os magistrados ressaltaram, porém, que o ministro da Justiça, André Mendonça, não teve influência na produção do dossiê, já que o material passou a ser coletado no mesmo dia em que o ex-ministro Sergio Moro pediu demissão.

Informe do brasil247

STF dá 48 horas para Ministro da Justiça explicar dossiê de servidores antifascistas.

André Mendonça: criando um novo SNI no Ministério.

O Supremo Tribunal Federal deu um prazo de 48 horas para que o Ministério da Justiça e Segurança Pública preste informações sobre 579 servidores integrantes de movimentos antifacistas. A decisão foi tomada pela ministra e ex-presidente da corte, Cármem Lúcia, relatora de uma ação sobre o caso

Na ação, o partido politico pede a “imediata suspensão da produção e disseminação de conhecimentos e informações de inteligência estatal produzidos sobre integrantes do ‘movimento antifascismo’ e professores universitários”.

Para Cármen Lúcia, se o conteúdo da denúncia for verdadeiro, o quadro “escancara comportamento incompatível com os mais basilares princípios democráticos do Estado de Direito e que põem em risco a rigorosa e intransponível observância dos preceitos fundamentais da Constituição.”

Em entrevista à GloboNews no domingo (2), o ministro da Justiça e Segurança Pública, André Mendonça, declarou que abriria apuração interna sobre o caso. Na segunda, o chefe Secretaria de Operações Integradas (Seopi) – órgão que teria feito o relatório, foi exonerado. Até o momento, o ministério não havia divulgado o substituto de Gilson Libório. Com informações do G1 e edição do bahia.ba.

No final da noite, Bolsonaro nomeia amigos para a Justiça e Polícia Federal.

Deputada Joice Hasselmann denuncia na CPI das Fake News o tal Gabinete do Ódio.

O delegado federal Alexandre Ramagem Rodrigues, que dirigia a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), se tornou próximo da família presidencial ao coordenar a segurança de Bolsonaro na campanha de 2018. Ele foi nomeado no final da noite de ontem para dirigir a Polícia Federal.

Para o lugar de Moro, era cotado um outro amigo da família (Jorge Oliveira Francisco, atual ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República), mas Bolsonaro escolheu André Mendonça, funcionário de carreira que chefiava a Advocacia-Geral da União (AGU).

O grande problema de Bolsonaro, a geração de notícias favoráveis ao Governo no âmbito do Palácio do Planalto, sob o comando do vereador Carlos Bolsonaro, está no momento solucionada.

A verdade é que está em desenvolvimento uma Comissão Parlamentar de Inquérito na Câmara Federal e o assunto é investigado também pelo Supremo. O ministro do STF, Alexandre Moraes, proibiu, através de determinação expressa, a troca dos delegados titulares nestas investigações.