Potifar, o Eunuco do Faraó, já mandou recado dizendo que vai dar no pé do País antes do final do mandato para não ter que passar a faixa para o seu adversário. Para os progressistas não deixa de ser uma dupla satisfação.
A primeira, não conspurcar a cerimônia festiva com a sua figura nefasta. A segunda, a agonia política do Incitatus, que afasta qualquer hipótese de uma ressureição nos próximos anos.
Ficam órfãos, milhões de idiotas espalhados por todo o País, inclusive aqueles que estendem o braço em saudação nazista e mamadores oficiais como aquele piloto de Fórmula 1.

O governo do presidente Jair Bolsonaro (PL) estourou o teto de gastos em R$ 213 bilhões. Os valores, que foram executados fora do orçamento, foram levantados pela IFI (Instituição Fiscal Independente), órgão vinculado ao Senado Federal.
O teto de gastos foi uma medida criada pelo Congresso Nacional em 2016 através da PEC 95 (Proposta de Emenda à Constituição). A regra alterou o regime fiscal e limitou os gastos públicos por 20 anos, ou seja, tem vigência até 2036.
De acordo com apuração do portal Metrópoles, Bolsonaro negociou, desde 2019, ao menos cinco emendas constitucionais para gastar além do que a norma do teto estipula.
A mais recente articulação foi a aprovação da PEC dos Auxílios, no mês passado. Com a aprovação da medida, o governo vai poder desembolsar R$ 41,2 bilhões em benefícios sociais em pleno ano eleitoral. Esses recursos têm impacto direto nas contas públicas e estão fora do teto.
A proposta alavancou o programa Auxílio Brasil, que de R$ 400, vai agora distribuir R$ 600 aos mais pobres. Além disso, a PEC vai disponibilizar um crédito de R$ 1 mil para caminhoneiros autônomos, além de um auxílio para taxistas. Esses e outras medidas, como ampliação do vale-gás, terão validade até dezembro deste ano.
Déficits continuados
Quando o texto foi criado, ainda na gestão de Michel Temer (MDB), o país passava por recessão marcada pela crise fiscal. Gastava mais do que arrecadava e acumulava sucessão de déficits primários. Dessa forma, o argumento utilizado era que a regra orçamentária iria controlar os gastos públicos e que as despesas da União só poderiam crescer o equivalente ao gasto do ano anterior, sendo este corrigido pela inflação.
Na última semana, o ministro da Economia Paulo Guedes, reconheceu que o governo descumpriu o teto, mas alegou que a medida foi necessária para socorrer os “mais frágeis” por meio do pagamento de auxílios durante a pandemia de coronavírus e a guerra entre Rússia e Ucrânia. De acordo com o ministro, a transgressão do teto foi feita com “responsabilidade fiscal”.
Do br.noticias.yahoo.com

Nereu Crispim, deputado líder da Frente Parlamentar dos Caminhoneiros, no Congresso Nacional lamenta a situação dos heróis da estrada.
Em entrevista ao Congresso em Foco, o líder da Frente Parlamentar dos Caminhoneiros no Congresso Nacional, deputado Nereu Crispim (PSD), criticou os bloqueios promovidos por bolsonaristas nas rodovias em protesto ao resultado das eleições presidenciais deste ano.

Ex-motorista e dono de caminhão por 35 anos, o parlamentar afirmou que as obstruções promovidas por caminhoneiros não têm relação com a categoria. Segundo Crispim, são atos golpistas tramados por políticos e empresários, sobretudo do agronegócios, que não aceitam a vitória de Lula (PT) sobre Jair Bolsonaro (PL).
“Os caminhoneiros estão sendo usados como bucha de canhão de golpistas.[…] Caminhoneiro de verdade não apoia Bolsonaro porque ele mentiu para a categoria nos quatro anos. O caminhoneiro aceita o resultado da eleição”, disse o deputado ao Congresso em Foco.
De acordo com um balanço da Polícia Rodoviária Federal (PRF), divulgado no início da manhã desta quinta-feira (3), 11 estados ainda sofrem com os bloqueios.
“Botaram o rótulo de que caminhoneiro é capacho de Bolsonaro e faz qualquer coisa por Bolsonaro. Isso é mentira. A categoria apenas o apoiou da outra vez porque ele dizia que ia seguir a pauta dos caminhoneiros. Não fez nada por eles. Mentiu por quatro anos”, completou Crispim.
Conforme a reportagem, a frente parlamentar, composta por 235 deputados e 22 senadores, entrou na segunda-feira (31) com ação na Justiça Federal pedindo indenização por danos morais e materiais para a categoria.
“Estão usando o nome de caminhoneiros indevidamente. É o choro ideológico dos perdedores, que pregaram ódio por quatro anos. Isso é um mais um motivo para eles terem merecido perder a eleição. Eles diziam defender Deus, pátria e família e estão atentando contra tudo isso”, completou o deputado na entrevista.
Editado por Bahia.ba e O Expresso.

Por Diego Escosteguy, em O Bastidor
A Agência Brasileira de Inteligência obteve informações reputadas como confiáveis de que civis e militares no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina, em São Paulo e no Rio de Janeiro estão engajados em atos preparatórios de violência política.
Segundo duas fontes com acesso direto aos fatos, os informes foram preparados há poucas horas, entre a noite de segunda e a madrugada de terça. Serão disseminados ao Gabinete de Segurança Institucional, ao Ministério da Defesa e à Presidência da República.
As informações provêm de fontes abertas na internet e são corroboradas por fontes sigilosas da Abin. Analistas da agência consideram os relatos confiáveis como material de tomada de decisão.
Entre o material analisado, ao qual o Bastidor teve acesso ao menos em parte, há vídeos e áudios de militares no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina organizando ataques armados a alvos ainda não identificados. A motivação é declarada: insatisfação com o resultado das eleições e desejo de subverter a ordem democrática por meio de uso de força. Esses militares parecem crer que terão apoio do presidente Jair Bolsonaro. Estão se organizando por meio de aplicativos de mensagens.
Os militares, assim como os civis, interpretam os bloqueios nas rodovias e o silêncio do presidente como um movimento preparatório para decretar uma intervenção militar. Eles estão armados com fuzis e pistolas. Por mais que os indivíduos possam não passar da etapa de planejamento, as circunstâncias e o armamento envolvido elevaram o grau de alerta entre os analistas de inteligência do estado brasileiro.
Alguns dos envolvidos afirmam que criariam, nas próximas horas, pontos de resistência armados nas rodovias já ocupadas. Ficariam à espera do Exército. Um dos grupos organizou uma “manifestação” para hoje (terça) à tarde em Brasília, na Esplanada dos Ministérios. O mote: pedido de intervenção militar.
A inteligência da Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal será avisada dessa e de outras possíveis manifestações de caráter golpista.
Por meio da Comissão de Inteligência, que supervisiona o trabalho da Abin, o Senado pode, em tese, pedir acesso aos relatórios e ficar a par do desenrolar da crise por meio dos produtos preparados pela agência.
ONG acompanhou o pleito em 15 estados, 54 cidades e 4 países e apresenta dados no “Relatório parcial
Missão de Observação Eleitoral Nacional 2022 – 2º turno”
A organização de Transparência Eleitoral Brasil informa por meio do “Relatório parcial Missão de Observação Eleitoral Nacional 2022 – 2º turno” que não foi encontrada nenhuma inconsistência na soma dos votos conforme os dados dos Boletins de Urnas (BUs) e exorta a todas e a todos o respeito ao resultado apurado. Este resultado deve ser respeitado pelas instituições, pelos atores políticos e pelos partidos políticos uma vez que, em uma democracia, este reconhecimento é um dos pilares principais que elevam o valor da soberania popular.
No dia da votação predominou um ambiente de tranquilidade e com poucas incidências envolvendo violência, apesar de, embora em número pequeno, integrantes da Missão relatarem situações de impedimento da observação por parte de fiscais de partido, situação resolvida com a intervenção de mesários e funcionários da Justiça Eleitoral, ou mesmo pelo diálogo e explicação sobre o que é a função de observação eleitoral.
A ONG esteve presente em 15 estados, 54 cidades, 4 países e acompanhou a votação em 653 seções eleitorais ao longo do dia, assim como outras 76 no momento do fechamento da votação, 57 locais de transmissão de dados, e a totalização dos votos no TSE.
Em relação a organização, embora tenham sido presenciadas grandes filas em boa parte das seções eleitorais no Brasil e no exterior no 1° turno, no 2° turno a situação foi diferente. Segundo dados oficiais do TSE, a participação do eleitorado manteve-se na média, tendo 20,91% de abstenção (32.716.740 de eleitores). Somente no início da jornada eleitoral foram vistas filas, mas que fluíam com rapidez.
Sobre casos de violência política, a Missão de Observação Eleitoral Nacional da TE Brasil acompanhou com muita preocupação o crescimento do assédio moral tanto em estabelecimentos religiosos, bem como o que alcançou trabalhadores por todo o país, vindo de seus empregadores, para que uma determinada opção política fosse votada. Também foi observado uma quantidade crescente de casos noticiados pela imprensa envolvendo pessoas e discussões mais acirradas, que terminavam inclusive em violência física (agressões e assassinatos), bem como ameaças e danos materiais, por motivos políticos. Atos de campanha também foram prejudicados por eventos envolvendo armas de fogo.
Entre os turnos das eleições também foi perceptível o aumento de fluxo de desinformação, que fez com que a autoridade eleitoral tivesse que tomar providências inéditas para, ao menos, tentar controlar a situação. A TE Brasil reitera que não é possível utilizar-se de estratégicas que confundem a sociedade sob o pretexto do exercício da liberdade de expressão. Assim sendo, a TE Brasil chama a atenção para a responsabilidade das plataformas para que também sejam parte importante do enfrentamento à desinformação, pois se verifica que é somente por meio delas que será possível controlar situações já verificadas nas eleições 2018 e que se repetiram em 2022, em alguns casos com ainda mais contundência.
Voto em centro prisionais e institutos socioeducativos
A TE Brasil também acompanhou o voto de pessoas privadas de liberdade em um centro de detenção feminino (Penitenciária Feminina de Santana), na cidade de São Paulo, bem como nos institutos socioeducativos de menores infratores: Fundação Centro de Atendimento Socioeducativo ao Adolescente
– Fundação CASA, também em São Paulo, e Centro Educacional Cardeal Aloísio Lorscheider, em Fortaleza.
A observação eleitoral na penitenciária feminina e nos institutos socioeducativos transcorreu com normalidade. No caso dos institutos socioeducativos, os jovens se mostraram animados com a oportunidade de votar e demonstraram curiosidade com a urna eletrônica. Houve relatos dos mesários de como os jovens reagiram após o momento da emissão do voto, sentindo-se mais integrados com o que acontece na sociedade, mesmo os que antes tinham declarado não ter interesse a votar.
Voto no exterior
No exterior, a abertura da votação aconteceu de forma organizada e sem maiores problemas. A aglomeração de apoiadores das candidaturas à Presidência em frente aos locais de votação foi observada em distintas cidades no exterior. Em Munique (Alemanha) foram observadas manifestações de boca de urna pela manhã, com dispersão no período vespertino. Em Washington (Estados Unidos) houve início de aglomeração em frente ao edifício do hotel Capital Hilton, local de votação, sendo que o posicionamento de dois grupos de apoiadores foi considerado potencialmente problemático para o trânsito e para a condução do processo de votação, com acusações de manifestação de boca de urna. A tensão foi prontamente dissolvida.
As cidades que haviam apresentado algum tipo de tensão entre apoiadores dos candidatos à Presidência reformularam o esquema de segurança, evitando permitir a concentração de pessoas ao redor dos locais de votação. A redução das filas e do tempo geral de espera para votação foi apontada como importante para a redução da tensão geral. O encerramento de votação ocorreu em horário previsto. A transmissão de resultados também foi acelerada pelo pleno funcionamento das urnas eletrônicas
Comissão de Transparência das Eleições do TSE
A TE Brasil ressalta a necessidade de tornar a Comissão de Transparência das Eleições (CTE) do TSE, da qual a ONG faz parte, um órgão permanente do Tribunal. Os impactos das medidas que foram adotadas devido ao Plano de Ação produziram resultados concretos no aumento da integridade do sistema eletrônico de votação. Portanto, este processo deve ser contínuo, sem se limitar a somente uma eleição.
Pós-eleição
A TE Brasil segue em campo com a Missão de Observação Eleitoral Nacional 2022 até a diplomação dos eleitos, além de emitir o seu relatório final em 2023 com a análise completa dos dados coletados, bem como das denúncias que recebeu referente a episódios que possam envolver ilícitos eleitorais por meio da plataforma Voto Transparente.

Havia mensagens rodando desde 14 de outubro; grupo de militares queria paralisação antes do 2º turno
“Preparem as barracas, o povo nas cidades vai para os quartéis os caminhoneiros e o agro irão parar às rodovias”, diz a mensagem, com erros de ortografia, que circulou no Telegram bolsonarista. Apesar da paralisação antidemocrática ter se concretizado apenas no final de outubro — após o resultado das eleições que declararam a derrota de Jair Bolsonaro para Lula — o chamado foi disparado semanas antes, no dia 14. “DIA 30 vamos votar e PERMANECER NAS RUAS”, previa a convocação.
Investigação da Agência Pública descobriu que a mensagem, enviada no grupo ODB Ordem de Cristo, com 3,5 mil membros, não foi um conteúdo isolado.
Durante todo o período que antecedeu o 2º turno, chamados de paralisação de caminhoneiros circularam em grupos bolsonaristas. A maioria dos grupos não permite ver a quantidade de visualizações de cada postagem. As mensagens mostram que os extremistas traçaram ao menos dois cenários: realizar a paralisação nas semanas anteriores à votação ou logo após a divulgação dos resultados, no que já chamavam de “contra-golpe” – antes mesmo da eleição acontecer.
Mensagem golpista de 14 de outubro pediu a bolsonaristas para permanecerem nas ruas após a votação e convocou paralisação de caminhoneiros
“Intervenção civil é dias e dias a fio.. até que o ORDENAMENTO DO POVO SOBERANO SEJA CUMPRIDA”, defende uma mensagem compartilhada no grupo Conservadores, com 2,1 mil membros, no dia 15 de outubro. Dois dias depois, um novo chamamento ilegal no grupo também citaria os caminhoneiros: “caminhoneiros e o agro irão parar às rodovias!!! O Lula e o STF só teme as FFAA! Selva!”.
Segundo a lei 14.197/2021, atentar contra as instituições democráticas é crime e pode levar de 4 a 12 anos de reclusão.
Já no dia 19, uma nova mensagem no grupo traçou o plano: “Se houver golpe. *Todos* precisamos fazer o contra golpe *imediatamente* após o anúncio. O povo precisa, uma parte cercar os cartórios eleitorais e sedes do TSE e outra parte ir para as portas dos quartéis e caminhoneiros e agricultores trancar os trevos de rodovias em DEDOBEDIENCIA CIVIL”.
Essa mensagem e diversas outras que chamaram a paralisação de caminhoneiros fizeram menção a um discurso realizado por Bolsonaro em Pelotas, no Rio Grande do Sul, no dia 11 de outubro.
Segundo os extremistas, a fala do presidente para que os eleitores permanecessem na seção após a votação seria um indicativo para as paralisações.
“Pegar a convocação que o PR fez em Pelotas-RS para o povo PERMANECER (iniciar a intervenção) e ao receber a notícia da fraude seguir todos para as portas dos quartéis. Preparem as barracas, o povo nas cidades irão para os Quartéis, os caminhoneiros e o agro irão parar às rodovias!!!”, diz um dos textos, que circulou nos grupos Ordem de Cristo, Conservadores e SCO Sociedade Civil, este último com 4,9 mil membros.
Em Pelotas, no dia 11, Jair Bolsonaro havia dito que “No próximo dia 30, de verde e amarelo, vamos votar e vamos permanecer na região da seção eleitoral até a apuração dos resultados. Tenho certeza que o resultado será aquele que todos nós esperamos, até porque o outro lado não consegue reunir ninguém”, afirmou. No 1º turno, foi Luís Inácio Lula da Silva que teve mais votos na cidade.

PRF SP Bloqueio em rodovia em São Paulo na noite do dia 31 de outubro
Militares da reserva queriam greve de caminhoneiros antes do 2º turno
“Ah, mas vai prejudicar a economia… Quatro dias, cinco dias paralisado vai prejudicar a economia?!”, questiona o coronel da reserva da Aeronáutica Marcos Koury, defendendo que caminhoneiros bloqueassem as principais rodovias do país.
“A ideia é sensibilizar o presidente da República, apoiar o Bolsonaro, ajudar o Bolsonaro”, explica.
O vídeo, publicado no dia 16 de outubro, foi uma dentre as várias tentativas fracassadas do militar de incitar uma greve geral de caminhoneiros antes do segundo turno das eleições. A ideia era a seguinte: os motoristas deveriam paralisar o Brasil para demonstrar apoio a Bolsonaro, que teria tempo de publicar uma Medida Provisória que instituiria o voto impresso. A MP da cédula impressa é uma bandeira de Koury no grupo B-38, formado por militares da reserva apoiadores de Bolsonaro e criado em 2018.
Com uma série de canais desmonetizados no YouTube, Koury comemora em vídeo de 28 de outubro mais de 1 milhão de visualizações em seus últimos vídeos, mas reclama de ter recebido “apenas três Pix depositados”. Nesta terça-feira, em vídeo hospedado no YouTube e distribuído em grupos de Telegram, pede novamente contribuições depois de exaltar paralisação em Pernambuco e afirmar que é necessário “agir em conjunto, paralisar o Brasil, para nós não entrarmos no socialismo”.

Militar aposentado da Aeronáutica, Koury postou vídeo pedindo paralisação com caminhões semanas antes das votações; mensagem viralizou no Telegram
“Preparem as barracas, o povo nas cidades vai para os quartéis os caminhoneiros e o agro irão parar às rodovias”, diz a mensagem, com erros de ortografia, que circulou no Telegram bolsonarista. Apesar da paralisação antidemocrática ter se concretizado apenas no final de outubro — após o resultado das eleições que declararam a derrota de Jair Bolsonaro para Lula — o chamado foi disparado semanas antes, no dia 14. “DIA 30 vamos votar e PERMANECER NAS RUAS”, previa a convocação.
Investigação da Agência Pública descobriu que a mensagem, enviada no grupo ODB Ordem de Cristo, com 3,5 mil membros, não foi um conteúdo isolado.
Durante todo o período que antecedeu o 2º turno, chamados de paralisação de caminhoneiros circularam em grupos bolsonaristas. A maioria dos grupos não permite ver a quantidade de visualizações de cada postagem. As mensagens mostram que os extremistas traçaram ao menos dois cenários: realizar a paralisação nas semanas anteriores à votação ou logo após a divulgação dos resultados, no que já chamavam de “contra-golpe” – antes mesmo da eleição acontecer.
Mensagem golpista de 14 de outubro pediu a bolsonaristas para permanecerem nas ruas após a votação e convocou paralisação de caminhoneiros
“Intervenção civil é dias e dias a fio.. até que o ORDENAMENTO DO POVO SOBERANO SEJA CUMPRIDA”, defende uma mensagem compartilhada no grupo Conservadores, com 2,1 mil membros, no dia 15 de outubro. Dois dias depois, um novo chamamento ilegal no grupo também citaria os caminhoneiros: “caminhoneiros e o agro irão parar às rodovias!!! O Lula e o STF só teme as FFAA! Selva!”.
Segundo a lei 14.197/2021, atentar contra as instituições democráticas é crime e pode levar de 4 a 12 anos de reclusão.
Já no dia 19, uma nova mensagem no grupo traçou o plano: “Se houver golpe. *Todos* precisamos fazer o contra golpe *imediatamente* após o anúncio. O povo precisa, uma parte cercar os cartórios eleitorais e sedes do TSE e outra parte ir para as portas dos quartéis e caminhoneiros e agricultores trancar os trevos de rodovias em DESOBEDIENCIA CIVIL”.
Essa mensagem e diversas outras que chamaram a paralisação de caminhoneiros fizeram menção a um discurso realizado por Bolsonaro em Pelotas, no Rio Grande do Sul, no dia 11 de outubro.
Segundo os extremistas, a fala do presidente para que os eleitores permanecessem na seção após a votação seria um indicativo para as paralisações.
“Pegar a convocação que o PR fez em Pelotas-RS para o povo PERMANECER (iniciar a intervenção) e ao receber a notícia da fraude seguir todos para as portas dos quartéis. Preparem as barracas, o povo nas cidades irão para os Quartéis, os caminhoneiros e o agro irão parar às rodovias!!!”, diz um dos textos, que circulou nos grupos Ordem de Cristo, Conservadores e SCO Sociedade Civil, este último com 4,9 mil membros.
Em Pelotas, no dia 11, Jair Bolsonaro havia dito que “No próximo dia 30, de verde e amarelo, vamos votar e vamos permanecer na região da seção eleitoral até a apuração dos resultados. Tenho certeza que o resultado será aquele que todos nós esperamos, até porque o outro lado não consegue reunir ninguém”, afirmou. No 1º turno, foi Luís Inácio Lula da Silva que teve mais votos na cidade.
Militares da reserva queriam greve de caminhoneiros antes do 2º turno
“Ah, mas vai prejudicar a economia… Quatro dias, cinco dias paralisado vai prejudicar a economia?!”, questiona o coronel da reserva da Aeronáutica Marcos Koury, defendendo que caminhoneiros bloqueassem as principais rodovias do país.
“A ideia é sensibilizar o presidente da República, apoiar o Bolsonaro, ajudar o Bolsonaro”, explica.
O vídeo, publicado no dia 16 de outubro, foi uma dentre as várias tentativas fracassadas do militar de incitar uma greve geral de caminhoneiros antes do segundo turno das eleições. A ideia era a seguinte: os motoristas deveriam paralisar o Brasil para demonstrar apoio a Bolsonaro, que teria tempo de publicar uma Medida Provisória que instituiria o voto impresso. A MP da cédula impressa é uma bandeira de Koury no grupo B-38, formado por militares da reserva apoiadores de Bolsonaro e criado em 2018.
Com uma série de canais desmonetizados no YouTube, Koury comemora em vídeo de 28 de outubro mais de 1 milhão de visualizações em seus últimos vídeos, mas reclama de ter recebido “apenas três Pix depositados”. Nesta terça-feira, em vídeo hospedado no YouTube e distribuído em grupos de Telegram, pede novamente contribuições depois de exaltar paralisação em Pernambuco e afirmar que é necessário “agir em conjunto, paralisar o Brasil, para nós não entrarmos no socialismo”.
Militar aposentado da Aeronáutica, Koury postou vídeo pedindo paralisação com caminhões semanas antes das votações; mensagem viralizou no Telegram
Reportagem da Pública mostrou que em fevereiro deste ano, Koury e outros quatro integrantes do grupo reuniram com o chefe do Gabinete de Segurança Institucional no Planalto, o general Augusto Heleno. O maior grupo de Telegram do B-38, o Super Grupo, está atualmente excluído do Telegram. Ele já havia sido suspenso em maio.
No vídeo, o militar aposentado menciona o movimento para que a paralisação aconteça após a votação. “Ah, coronel, tem um movimento para paralisar o Brasil dia 30 se houverem fraudes. […] Vou abrir o jogo com vocês: o que vocês estão me pedindo é deixar eles tomarem a capital que depois a gente toma de volta? Paralisar dia 30 é chorar sobre o leite derramado”, criticou.
O vídeo de Koury sobre as paralisações foi compartilhado em diversos grupos bolsonaristas no Telegram: Bolsonaro 22, com 55,3 mil membros; Advogados pela Verdade, com 7,7 mil; ODB Ordem de Cristo, com 3,5 mil; e Aliança com Bolsonaro, com 1,7 mil membros, dentre outros. Dias depois, membros desses mesmos grupos passaram a defender os bloqueios às rodovias pós-eleições.
A falta de adesão ao chamado de Koury gerou dúvidas nos próprios membros. “CORONEL KOURY, CADÊ A PARALISAÇÃO DOS CAMINHONEIROS?????”, questionou um membro do B-38 no dia 19 de outubro. “Bom dia! Com está a paralisação nacional dos caminhoneiros organizada pelo Cel Koury? Quais os pontos na BR 101 estão bloqueados alguém sabe?”, perguntou outro membro no dia seguinte.
Bolsonarismo plantou #JuntosComCaminhoneiros dez dias antes da votação
*BOLSONARO JÁ FOI REELEITO PRESIDENTE DESDE O PRIMEIRO TURNO…???????????????????? DEVERÍAMOS APOIAR OS CAMINHONEIROS E PARAR TODAS AS BRS DESSE PAÍS ATÉ RECONHECEREM OFICIALMENTE*????? *#JuntosComCaminhoneiros*
Esse é o texto de uma mensagem que circulou no Telegram bolsonarista no dia 21 de outubro, mais de uma semana antes da votação do 2º turno. Ela foi postada por uma usuária chamada Vania, participante ativa do grupo BOLSONARO 22, com 55 mil membros.
Quase duas semanas depois, a hashtag do Telegram iria ser usada no Twitter bolsonarista, em postagens que exaltam as paralisações antidemocráticas.
A reportagem encontrou diversos posts de um conta chamada KADIMA BRASIL NEWS na noite do dia 30 utilizando a #juntoscomcaminhoneiros. A conta, que divulga estar registrada na Califórnia, nos EUA, e foi criada em agosto deste ano postou diversos vídeos e fotos das paralisações com a hashtag.
Apesar de dizer que “Temos que agir independente dos políticos”, em uma das postagens, o perfil marca a deputada bolsonarista Carla Zambelli,”. A política bolsonarista tem apoiado as paralisações antidemocráticas e compartilhado imagens dos atos. Na madrugada do dia 31, ela parabenizou os caminhoneiros.

A tag #juntoscomcaminhoneiros também tem sido usada no Tik Tok, em postagens de apoio aos manifestantes que pedem intervenção inconstitucional. Um vídeo, postado pelo perfil grazirodolfialves86 na madrugada do dia 1 de novembro, com mais de 86 mil visualizações, usa a hashtag.
Redes permitem conteúdos golpistas e antidemocráticos
Segurando apuração do Aos Fatos, o YouTube permitiu a monetização de uma transmissão ao vivo de uma paralisação que bloqueou os acessos ao aeroporto de Guarulhos, na noite desta sexta-feira (31), contrariando política da própria plaforma. O perfil responsável pela live chama-se Na Lata Driver e é gerenciado por Henrique Pereira, que se declara motorista de Uber e costuma publicar seus passeios em tempo real enquanto comenta assuntos diversos – dentre eles, política brasileira. Seu canal no YouTube conta com mais de 1,5 milhões de seguidores e, nesta segunda-feira, dedicou-se a fazer duas transmissões ao vivo de bloqueios nas estradas.
Uma de suas lives, com mais de sete horas de duração, foi veiculada diretamente de paralisação nas proximidades do aeroporto de Guarulhos, e transmitida pelo YouTube durante entre segunda e terça-feira para mais de 191 mil usuários. Nela, Henrique agradece contribuições feitas por espectadores por meio da ferramenta de doações do YouTube.
O dono do canal convoca manifestantes durante a transmissão e endossa pauta bolsonarista de fraude. Também está ciente de que o conteúdo veiculado não é aceito por algumas redes sociais. “Se o WhatsApp cair, se o Instagram cair, se o YouTube cair… mas acho difícil o YouTube cair, porque o YouTube não é brasileiro”, diz. O YouTube tem regra específica para o Brasil para remover esse tipo de vídeo do ar.
Outra transmissão foi feita mais cedo, enquanto o youtuber se dirigia para uma das barreiras em São Paulo de moto. São mais de duas horas de transmissão, mas, desta vez, sem contribuições financeiras visíveis. A live acumula mais de 30 mil visualizações.
“O que é necessário? Primeiro, nós temos que ser rápidos, extremamente rápidos. Tem que parar imediatamente todo o país e a participação tem que ser unânime […] Os caminhoneiros vão para as rodovias e parte deles tem que ir para os quarteis. O pessoal do agronegócio também pode participar nas rodovias e colocar seus tratores em volta dos quartéis por todo o Brasil”, chama Durval Ferreira em uma transmissão no YouTube realizada no início da noite desta segunda, 31 de outubro. “Isso é o povo praticando desobediência civil”, diz.
Com mais de 36 mil inscritos no seu canal de YouTube, Ferreira se apresenta como oficial de carreira do Exército Brasileiro e jornalista. Apesar de defender os atos que desrespeitam o resultado das eleições, o YouTube não havia retirado a transmissão do ar mais de 14 horas após ela ser publicada — e quando o vídeo passava de 9,9 mil visualizações.
A reportagem encontrou links para transmissão de Ferreira em pelo menos quatro grupos no Telegram nos quais bolsonaristas articulavam e defendiam as paralisações de rodovias: Grupo Renato Barros, com 13,7 mil membros; SCO Sociedade Civil, com 4,9 mil; Confederação Direita Brasil, com 2,1 mil; e Conservadores, com 2,1 mil. Neste último, uma das mensagens dizia “sugiro seguirem os links do Capitão Durval que é de extrema confiança afim* de traçarmos uma linha de ação segura para o atual momento”.
Além da transmissão, Ferreira já havia publicado um vídeo no YouTube um dia antes das votações dizendo que político tem medo do povo na frente dos quarteis. A publicação teve 5,3 mil visualizações.
Dois dias depois do início dos atos, Bolsonaristas mantêm bloqueios em 20 estados
Às 9h de terça-feira, dia 1 de novembro, a PRF informou que haviam bloqueios ou interdições em pelo menos 20 estados, a maioria deles em Santa Catarina, com 38 pontos de bloqueios. A corporação divulgou ter desfeito 246 manifestações, sem informar se houve prisões ou multas. Reportagem da Pública mostrou que agentes da PRF se posicionaram ao lado dos manifestantes que pediam golpe de Estado.
Desde a noite de segunda, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), havia determinado que a PRF e as polícias militares tomassem ações imediatas para desobstrução de vias. A decisão partiu de um pedido da Confederação Nacional dos Transportes e do vice-procurador geral eleitoral.
Moraes também estipulou que o diretor da PRF e aliado de Bolsonaro, Silvinei Vasques, pagaria multa de R$ 100 mil por hora e eventual afastamento do cargo caso descumprisse a determinação judicial.
Esta reportagem foi feita numa colaboração entre Agência Pública, Aos Fatos e Núcleo Jornalismo para a cobertura das eleições de 2022. A republicação só é permitida com a atribuição de crédito para todas as organizações.